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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Compromisso com as crianças de Vila Franca



Num sábado de manhã com chuva, no dia 7 de fevereiro, aconteceu o último seminário comunitário do ECA nas comunidades ribeirinhas. Para fechar essa etapa, a comunidade de Vila de Franca se apresentou com uma forte participação de suas lideranças e mostrou com muita alegria e seriedade, seu compromisso e responsabilidade com suas crianças e adolescentes.



A equipe do Programa “Pelos Direitos das Crianças da Amazônia” do PSA, (Jacobien, Elis, Karen, Pimenta e Adriane Gama) chegou à Vila Franca pelo maravilhoso rio Arapiuns, no barco Saúde e alegria, sob comando a bordo do seu Joãozinho. Chegamos pelo quintal da comunidade (frente fica no rioTapajós) e a pé, percorremos uma pequena estrada contemplando a natureza.


Na sede comunitária da RESEX, começamos nosso encontro com a disposição dos participantes e apresentação de todos. O arte-ecudador e palhaço Pimenta convidou todas as crianças para brincar e juntamente com a Karen, aluna da Escola Nórdica da Suécia, fizeram uma filmagem muito divertida sobre os direitos fundamentais do ECA.


Os participantes estavam muito envolvidos e ativos no seminário e o melhor momento, foi a hora do debate do grupo, onde as pessoas puderam esclarecer suas dúvidas e discutir um pouco sobre o ECA e o programa. Sempre intercalando com momentos de dinâmicas e brincadeiras para ter mais energia no corpo e na alma. O que foi muito importante também, foi a formação dos agentes multiplicadores do ECA na comunidade, liderada pelos jovens e adultos, fortalecendo a rede local de proteção a meninos e meninas.





À noite, no Gran Circo Mocoronga, a comunidade apresentou várias demonstrações artísticas culturais locais, como: a dança do Carimbó, paródias e a mais singela de todas, a dança do Tipiti, dançada pelas crianças e adolescentes. Os grupos temáticos do seminário também produziram suas dramatizações, músicas e poesias, mas a mãe natureza, anunciava um "toró" de chuva e finalizamos o espetáculo, agradecendo a todos e todas por sua gentileza e receptividade e pela participação alegre da comunidade de Vila Franca.



Dri acompanhada de uma mocinha chamada Elis Lucien


Na volta pela estrada, debaixo de chuva à noite, tivemos a clareza que durante essa temporada de seminários, tivemos a oportunidade de conviver e conhecer pessoas que acreditam em um futuro mais digno e justo para suas comunidades, especialmente para crianças e adolescentes. E com a dedicação e esforços dessas pessoas, conseguimos divulgar e sensibilizar os comunitários para garantir o respeito e direitos fundamentais de meninos e meninas que estão em pleno desenvolvimento, as futuras lideranças riberinhas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

É necessário!

Não poderia deixar de colocar esse relato simbólico de uma das militantes do meio ambiente do Brasil que mais reflete minha querida Amazônia. Essas palavras fortes e fiéis foram escritas logo após o FMS.

Confira, vale a pena ler.
bjs,


Terça, 3 de fevereiro de 2009, 08h15

É possível

Marina Silva
De Brasília (DF)

Encerrado o Fórum Social Mundial de Belém, o próximo deverá ser descentralizado e somente em 2011 teremos outro encontro do porte deste, do qual participaram 130 mil pessoas, imbuídas da certeza de que um outro mundo é possível. E de que ele surgirá da rejeição dos modelos estabelecidos e da capacidade de estruturar propostas, espaços e processos inovadores e movidos por valores de justiça, equidade e equilíbrio social e ambiental.

É difícil fazer um balanço, ou melhor, talvez não caiba um balanço para algo cuja marca é a diversidade de idéias, conhecimentos, culturas, idades, condição econômica, nacionalidades, línguas. Talvez seja mais adequado apenas transmitir algumas impressões do que me foi dado vivenciar e observar nesses dias em Belém, dentro da vasta agenda de eventos simultâneos do Fórum. Participei de vários debates e o que mais me chamou a atenção foi o grande interesse da juventude por temas ligados ao meio ambiente. No último, sobre crise ambiental planetária e mudanças climáticas, juntamente com o professor Leonardo Boff e o indiano Vinod Reida, o auditório lotado de maioria jovem ouviu em postura silenciosa e concentrada e, pela reação ao final, demonstrou sua mobilização e compromisso com o tema.

Ao mesmo tempo, quando os participantes eram mais diversificados, observei que não havia diferenciação nem de idade nem de situação econômica e nem de origem ou cultura, na preocupação em entender a crise ambiental planetária e, principalmente, em fazer alguma coisa. E, embora esse fazer ganhe inúmeras traduções, a depender da visão social e das possibilidades de cada pessoa, senti a força da disposição concreta para o agir agora.

Não se trata de um discurso sobre o inatingível e inalcançável, de uma dimensão além do alcance de cidadãos comuns. Há um entendimento de que a cada um é possível, sim, dar uma contribuição. Como se um dissesse: eu já faço algo, mas como posso fazer mais? E o outro respondesse: ainda não estou fazendo, como posso começar a fazer?

Mas também há consciência clara de que é insubstituível o papel de governos, instituições multilaterais, grandes empresas e outros atores cujo porte os faz responsáveis por desencadear ações com o impacto necessário a catalisar as iniciativas da sociedade e estabelecer novos padrões e paradigmas. É uma pena que a maioria dos políticos e das estruturas de poder não esteja antenada para essa energia. Enredam-se em saídas velhas para a crise econômica, não reconhecem a dimensão da crise ambiental, não vêem como as duas são inseparaváveis e se perdem em discursos igualmente velhos.

Saí do Fórum segura de ter tido a oportunidade de constatar, por uma boa amostragem - a das pessoas engajadas ou dispostas a um engajamento maior e, portanto, prontas para multiplicar suas inquietações e conhecimentos - que a inserção do tema ambiental está mudando em todos os segmentos sociais. Deixa de ser um campo restrito para capilarizar-se no cotidiano e ganhar lugar essencial nos acontecimentos da vida coletiva e individual. Meio ambiente já tem a visibilidade de uma nova força mobilizadora. O maior exemplo foi a maneira integrada como a crise econômica e a crise ambiental fundiam-se nas falas e manifestações nos diferentes eventos.

Tive, inclusive, a sensação de que a própria situação mundial de aumento de incertezas faz com que as pessoas reposicionem suas referências. O pragmatismo dá lugar aos valores e aos sonhos, os únicos sólidos o suficiente para ancorar a esperança. Pode parecer um paradoxo, porque os sonhos poderiam ser vistos justamente como algo intangível, etéreo, sem substância para nos ancorar, mas creio que acontece o contrário. É nesses momentos que percebemos o quanto as bases materiais da sociedade são inseguras, voláteis, imediatistas e geradoras de cultos a ilusões desprovidas da profundidade de que precisamos para direcionar a vida e lhe dar sentido.

Estamos numa conjuntura propícia a essa busca na qual nos questionamos e encontramos disposição para mudar. E é nessa conjuntura que a defesa do meio ambiente deixa de ser uma militância marginal e específica para se inserir no centro da construção de alternativas de organização social e econômica que representem um avanço real diante do fracasso do modelo consumista, utilitarista e excludente que nos levou aos impasses atuais.

Assim, é importante não se deixar levar por notícias que acabam dando uma visão folclorizada do Fórum, como se fosse um reduto de malucos, radicais e retóricos. É que, ao contrário de Davos, onde o recorte do poder é condição para sentar-se à mesa, o Fórum é amplo, aberto, e só exige a disposição para mudar o mundo. Utopia? Felizmente, sim.


Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

FMS: A luta compartilhada

Estou no Fórum Mundial Social 2009, nona edição: uma babilônia de línguas, informações e pessoas. Conhecendo muita gente e trocando experiências por um mundo melhor do que este. Isso ainda é possível, pelo menos ainda... Ainda de termos oportunidade de reverter tudo. Muitos conteúdos, muita agitação, gente de todas as ¨tribos¨ indo e vindo. Os lugares aonde sediam o evento, é pequeno para as muitas propostas que acabam gerando ou influenciando as políticas públicas sociais, políticas e ambientais de sobrevivência humana nesse planeta. Na verdade, o FMS é permanente e constante, é um momento de reflexão e atitude no dia a dia. Salve plurarismo de conhecimentos.Viva Pan-Amazônia!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Ainda é Possível um Mundo Melhor!

Mensagem do coração da floresta

A abertura da 9º edição do Fórum Social Mundial foi literalmente para enviar "a mensagem". Com o comando sincronizado de aproximadamente 2 mil índios da América Latina, ocuparam na manhã do primeiro dia do FSM, numa área da Universidade Federal Rural da Amazônia, em Belém do Pará, para formar com seus corpos a frase “Salve a Amazônia”, depois transformada em “SOS Amazônia” e também a figura de um índio com arco e flecha.